São João de Jerusalém


São João de Jerusalém 
( São João, o esmoler )  ( São João, o Almoner )  ( São João, o Armsgiver )

No ano de 550 d.C. em Amathunt, cidade da ilha de Chypre ao sul da Itália, nasce um menino chamado João. Seu pai era Epiphanius, o governador da ilha e João além de pertencer a uma família nobre teve também uma excelente formação cristã e caridosa. No fundo de sua alma ele sentia um chamado para a vida religiosa e isso desde pequeno conforme constam nos relatos históricos de sua biografia.

O tempo passou e João alimentou esse seu desejo até entrar na vida adulta, pois foi impedido por seus pais de se tornar um sacerdote. Mas o seu destino já estava traçado. Com muita obediência e humildade, ele acatando as ordens de seus pais casou-se muito novo e infelizmente veio a perder sua esposa e seus dois filhos devido a uma doença muito contagiosa naquela época. Seu sofrimento foi muito grande com a perda de sua família e após esse acontecimento João então resolve seguir novamente o seu caminho. Tornou-se um sacerdote e com o passar do tempo doou aos pobres todos os seus bens.

Já com seus cinquenta anos de idade João recebeu o título de “Patriarca de Alexandria” a convite de seu irmão adotivo Nicetas, que havia ajudado o Imperador Heraclius a subir no poder. Mas a Igreja nesta época estava muito reduzida diante da heresia e João se empenhou em recomendar a Ortodoxia, espalhando exemplos de vida virtuosa e santa.

Todas as quartas e sextas-feiras João se sentava no banco do lado de fora da igreja, apaziguava brigas, arbitrava as disputas, dava conselhos, ouvia as reclamações dos necessitados e procurava corrigir os erros e neutralizar o ódio que estavam prejudicando aquelas pessoas. Ninguém era insignificante para não ter a sua atenção. Desarmava sempre os inimigos usando sua humildade e as vezes até se ajoelhava a seus pés para pedir perdão.

O seu trabalho de filantropia foi tão reconhecido que João foi eleito Bispo de Alexandria. Foi no Egito e na época de seu bispado que a população católica da Pérsia encontrou alimento e abrigo ao serem perseguidos por causa de sua crença. Quando Jerusalém foi arrasada pelos pagãos, também foi o Bispo João que mandou para lá comida e até mesmo recursos para a reconstrução de suas igrejas. Mas suas obras foram além, pois movido pelo entusiasmo filantrópico e pela fé cristã, João se dirige para Jerusalém e lá constrói um hospital para atender os peregrinos que iam à terra santa visitar o Santo Sepulcro. 

A tradição diz que suas ações influenciavam outros a seguirem os seus exemplos. Ele era inspirado pelo pensamento de que ao ajudar os necessitados estamos também agradecendo a Jesus que se sacrificou para nos salvar. Quando alguém tentava em particular agradecer João, ele imediatamente dizia: "Irmão, eu não derramei meu sangue por você. Foi Jesus Cristo meu senhor e meu Deus e é Ele que me comanda".

João faleceu em 11 de Novembro de 619 d.C. na sua cidade natal e após sua morte o Papa o canonizou santo com o nome de “São João esmoleiro” em reconhecimento ao seu desprendimento material e amor incondicional as pessoas, porém ele ficou mais conhecido por outro nome: “São João de Jerusalém”.

São João é o padroeiro da Ordem de São João em Jerusalém, mais tarde convertida na Ordem dos Cavaleiros de Malta. Uma boa parte dos ensinamentos de São João de Jerusalém (incluindo sua filantropia), ainda continuam sendo aplicados pela Maçonaria. São João foi escolhido como patrono da Maçonaria devido aos seus ideais que combinavam com a doutrina maçônica. É por essa razão que todas as Lojas são abertas e dedicadas em sua homenagem.

O seu dia é comemorado em 23 de Janeiro. Suas relíquias foram levadas para Constantinopla e lá ficaram até que o imperador presenteasse o Rei Matthias da Hungria. Em 1632 foram trasladadas para o santuário da Catedral de Presbourg, onde estão até hoje.


Fontes consultadas: evangelhosanto, paginaoriente e revistauniversomaconico.



A Origem do Alfabeto Maçônico



A origem do Alfabeto Maçônico se deu ao místico e alquimista alemão: Heinrich Cornelius Agrippa Von Nettesheim.

Heinrich Cornelius Agrippa, nasceu em 15 de Setembro de 1486 em Colônia, na Alemanha. Passou boa parte de sua vida na França e Itália, onde trabalhou também como teólogo, médico, jurista e soldado. Dedicava o seu tempo principalmente ao estudo das ciências ocultas, que mesmo sendo considerada uma heresia naquela época, nunca existiu evidências de que ele foi seriamente acusado ou condenado, devido a esse interesse ou prática das mesmas.

Em 1503, Agrippa assumiu o nome de Cornelius Agrippa Von Nettesheim, adotando o "Von" para sugerir assim a sua origem nobre. Em 1506, ele fundou uma sociedade secreta em Paris, direcionada aos estudos da Astrologia,  da Magia e da Cabala. Na sua carreira profissional, Agrippa foi agente secreto, soldado, médico, orador e professor de Direito. Em 1509, ele instalou um laboratório em Dole, com o objetivo de sintetizar ouro, e durante a década seguinte viajou pela Europa vivendo como um alquimista e dialogando com importantes humanistas. Em 1520, começou a praticar medicina em Genebra, tornando-se médico pessoal da mãe da rainha em 1524, na corte do Rei Francis I em Lyon. Posteriormente moveu a sua pratica médica para Antuérpia, sendo mais tarde proibido por praticar sem licença. Ressurge depois como historiador na corte de Charles V.

Agrippa estudou profundamente a filosofia Hermética, a Cabala judaica e o Cristianismo. Escreveu e publicou três livros de filosofia oculta, sendo estes uma exposição sistemática do oculto no sentido do conhecimento. É um trabalho enciclopédico de magia renascentista, fornecendo informações sobre tópicos tão diversos como regências planetárias, virtudes ocultas, simpatias e inimizades das coisas naturais, encantamentos, feitiços, tipos de adivinhação, as escalas de números e seus significados, talismãs astrológicos, a Trindade Divina, os nomes cabalísticos de Deus e as ordens dos espíritos malignos.

Agrippa morreu em Grenoble no ano de 1535. No romance e na ópera ele é apresentado como estando em uma posição perigosa com as autoridades religiosas: nelas Agrippa nega enfaticamente que sua pesquisa é sobrenatural, afirmando que se trata apenas do estudo aprofundado da própria natureza.



O sistema de codificação mono alfabética, utilizado há muito tempo pela Maçonaria, mais conhecido como Alfabeto Maçônico, foi atribuído a esse místico e alquimista alemão, Cornelius Agrippa Von Nettesheim.

Em 1533, Agrippa publica "De Occulta Philosophia" em Colônia, na Alemanha. No livro 3, capítulo 30, ele descreve a sua codificação.

Vale ressaltar que este Alfabeto foi muito utilizado nos séculos XVII e XVIII, sendo que até hoje alguns Maçons ainda o utilizam, mais como uma forma de manter a sua tradição do que mesmo assegurar a confidencialidade de um conteúdo ou mensagem, visto que a sua chave foi “quebrada”, ou melhor, tornou-se de conhecimento público há muito tempo.

Abaixo se encontram o Alfabeto Maçônico Alemão, o Inglês e o correspondente na Idade Média, bem como a sua chave de código ao lado:  





Fontes consultadas:  www.renaissanceastrology.com , www.rlmad.net e demais pesquisas na internet.

Sobre os Rituais Herméticos e Alquímicos do Século XVIII




A Alquimia operativo-laboratorial (1) - é aquela que é aplicada dentro de um laboratório, e passa a ser compreendida como um rito sacrificial, em que o alquimista sacrifica a matéria, constituindo esse rito (2) urna atividade individual. Apesar disso, os alquimistas reuniam-se em escolas, mesmo que reduzidas somente ao Mestre e ao discípulo, e trocavam opiniões entre si, dentro de uma mesma escola, ou entre alquimistas de diversas escolas (3). Surgiram ainda, a partir de meados do século XVIII, ritos e rituais herméticos e alquímicos que não pretendiam fazer alquimia, mas sim, preparar o candidato para uma assimilação dos princípios herméticos e da prática alquímica, num contexto ritual e dentro de um grupo organizado, através de uma cerimônia iniciática onde seriam revelados - na iniciação, na instrução e no catecismo - os segredos alquímicos.

Uma grande parte desses ritos e rituais foram criados dentro de um contexto maçônico, constituindo altos graus, como o ritual do grau de Cavaleiro do Sol, ou mesmo um rito maçônico, como o Rito Hermético de Dom Pernety, ou a Estrela Flamejante do Barão de Tschoudy.

Vale ressaltar que alguns destes graus herméticos ou alquímicos, ocorreram no seio da Maçonaria  dos Maçons antigos, ou ainda, no universo maçônico por ela influenciado, que tem sua raiz no hermetismo renascentista, nos Rosa-Cruzes do século XVII, mais aberta e mesmo entusiasta a receber ensinamentos provenientes de correntes esotéricas como a Cabala, a Teurgia, a Alquimia, etc., e suas interpretações esotéricas de tradições como a Cavalaria, como os Ritos escoceses  Antigo e Aceito, ou ainda o Retificado, mas também os Ritos de York, da Ordem Real da Escócia (Heredom de Kilwining e Cavaleiro Rosa-Cruz) e do Rito Sueco, proveniente, como o Rito Escocês Retificado, da maçonaria da Estrita Observância Templária alemã, e mesmo, ainda que não regulares, os Ritos egípcios de Cagliostro, de Misraim, o que não se passa, de modo algum, na Maçonaria mais exotérica dos modernos Maçons, como exemplo, o Rito de Emulação, inglês, e o Rito Francês(4).

Abaixo, vamos analisar brevemente alguns desses rituais e ritos maçônicos ou para-maçônicos do século  XVIII (o último dos quais, o de Misraim, fixado em começos do século XIX, a partir de materiais do século XVIII):

A) O "Ritual Alquímico Secreto do Grau de Verdadeiro Maçom Acadêmico" de 1770(5) de Dom Pernety (1716-1796) e dos seus "Iluminados de Avignon". Antoine Joseph Pernety (Dom Pernety) nasceu em 1716 em Roanne-en-Forez e pronunciou os votos como beneditino da congregação de Saint-Maur, em 1732, na Abadia de Saint-Alllire de Clermont. Muito inteligente e culto - versado em Matemáticas, Ciências Naturais (participou na expedição de Louis de Bouganville às Ilhas Maldivas) e Pintura e Escultura (6), ele encontra, na biblioteca da Abadia de Saint-Germain-des-Prés, o livro do abade Lenglet-Dufresnoy, Histoire de la Philosophie hermétique (Paris, 1742), completado com a tradução do Véritable Philalète (Entré au Palais fermé du Roi), que desperta nele uma paixão que perdurará até ao fim da sua vida: a Alquimia. Em 1758 (e 1786) (7), publicará as Fables égyptiennes et grecques dévoilées et réduites au même principe e em 1758 ( e 1787), o Dictionnaire mytho-hermétique, dans lequel on trouve les allégories fabuleuses des poètes, les métaphores, les énigmes et les termes barbares des philosophes hermétiques expliqués (B) . Em ambos os livros (mas particularmente no primeiro, ao qual ele se refere constantemente no Dictionnaire), Dom Pernety propõe-se dar uma explicação alquímica das "fábulas" da Antiguidade (Elíada, Odisseia, etc.) e também dos mitos religiosos egípcios que, segundo ele, conteriam todos os segredos da Grande Obra. Tendo entrado em conflito com a congregação monástica beneditina de Saint-Germain-des-Prés, o nosso abade chega a Avignon em 1766, onde propõe desde logo um novo rito maçônico, o rito hermético, que foi adoptado pela Loja aristocrática dos Sectateurs de la Vertu (à qual ele parece aderir sem sabermos se ele já era maçom anteriormente ou se nela foi iniciado). O rito (ou regime) de Pernety, inteiramente baseado no Hermetismo e destinado a cristãos discretamente sapientes(9), era constituído por seis altos graus, para além dos três graus simbólicos (de Aprendiz, de Companheiro e de Mestre):

1 -Verdadeiro Maçom
2 -Verdadeiro Maçom na via recta
3 -Cavaleiro da Chave de Ouro
4- Cavaleiro da Iris
5 -Cavaleiro dos Argonautas
6 -Cavaleiro do Tosão de Ouro.

O ensino hermético era dado pelo Orador da Loja, desde o primeiro alto grau (de Verdadeiro Maçom): «Ia science à laquelle nous vous initions, est Ia premiere et Ia plus ancienne de toutes les sciences. Elle émane de Ia nature, ou plutôt c' est Ia nature elle-même, perfectionnée par I' art et fondée sur I' expérience. Dans tous les siècles, il y a eu des adeptes de cette science, et si, de nos jours, des chercheurs y consument en vain leurs biens, leurs travaux et leurs temps, c'est que, loin d'imiter Ia simplicité de Ia nature et de suivre des voies droites qu' elle trace, ils Ia parent d'un fard qu' elle ne peut souffrir et s' égarent dans un labyrinthe où leur folle imagination les entraîne.(10) - A partir de 1766-7, Dom Pemety está em Berlin como bibliotecário de Frederico II. Nesta cidade conhece outros hermetistas, toma contato com as doutrinas de E. Swedenborg (relativo aos contatos com entidades celestes) e aperfeiçoa o seu Rito Hermético. Em 1783 recebe a "Santa Palavra" de uma entidade celestial que lhe ordena que abandone a Prússia e retome a Avignon, para fundar o grupo dos "Iluminados" - na sequência dos "Iluminados de Berlim", a que pertencera. Em 1787, o Rito tem cerca de uma centena de elementos e em 1789 é já célebre nos meios esotéricos. A Instrução (ou Catecismo) - do Grau de Verdadeiro Maçom Acadêmico, contém perguntas e respostas(11) relativas à teoria alquímica e também algumas alusões à sua prática.



B) Os Rituais Alquímicos do Barão de Tschoudy (1724 -1769) e os Estatutos dos "Filósofos Desconhecidos": O nome desta Sociedade dos "Filósofos Desconhecidos" parece ter sido inspirado pelos "Estatutos dos Filósofos Desconhecidos", incluídos na obra do Cosmoplita (o alquimista polaco Michel Sendivogius), Tratados do Cosmopolita novamente descobertos (12).

::::::: A Estrela Flamejante (1766) :::::::

Este Rito é "verdadeiramente alquímico"(13), e no seu catecismo (destinado a aprendizes, companheiros e professos) é feita uma descrição da Grande Obra Alquímica, inspirada nos textos do alquimista Michel de Sendivogius (1566-1646), o Cosmopolita (que também influenciou Dom Pernety), particularmente Nova Luz Química e Cartas Filosóficas. Da "instrução para o grau de adepto ou aprendiz Filósofo Sublime e Desconhecido", retiremos a seguinte passagem:
P. De que mercúrio devemos servirmo-nos para a Obra? 
R. De um mercúrio que não se encontra sobre a terra, mas que é extraído dos corpos, mas nunca mercúrio vulgar... 
P. Como chamas a esse corpo? 
R. Pedra bruta ou caos, ou "iliaste'; ou "hylé". 
P. É essa mesma pedra bruta cujo símbolo caracteriza os nossos primeiros graus?
R. Sim, é a mesma que os maçons trabalham a desbastar e da qual eles querem retirar as imperfeições; essa pedra bruta é, por assim dizer, uma porção desse mesmo caos, ou massa confusa desconhecida e desprezada por todos...(14)


::::::: O Cavaleiro do Sol :::::::

A Ordem ou "Sociedade dos Filósofos Desconhecidos" possuiu um sistema maçônico baseado no Hermetismo e na Alquimia, num contexto cristão, cujo 7°, Grau, de "Cavaleiro do Sol", foi praticamente incluído no 28° Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite (codificado em 1802, em Charleston, E.U.A.) e no 51°, Grau do Rito de Misraim. A sua palavra de passe é Stibium, Estibina (Sulfureto de Antimónio), uma das matérias primeiras da Alquimia operativo-laboratorial, e a sua doutrina contém, segundo Michel Monereau (15), os seguintes temas: 1 - existe um primeiro princípio, incognoscível, que penetra o universo em todos os seus planos; 2 -a vida humana é apenas um ponto face à eternidade; 3 -a harmonia universal resulta do equilíbrio engendrado pela analogia dos contrários; 4 -o absoluto é o espírito que existe por si próprio; 5 -o visível é apenas a mainfestação do invisível; 6 -o mal é necessário à harmonia universal; 7 -a analogia é a única chave da natureza.(16)


C) A Ordem dos "Arquitetos Africanos" e o "Crata Repoa" (1770)

A Ordem dos "Arquitetos Africanos", ou dos "Irmãos Africanos" ("africanos" querendo dizer "egípcios"), foi instituída em 1767, na Prússia, sob os auspícios de Frederico o Grande (inspirador e protetor de outros graus e ritos maçónicos entre os quais o Rito Escocês Antigo e Aceite) e teve como Grão Mestre von Koppen, ilustre membro da Estrita Observância Templária (organização maçônico-templária dirigida pelo Barão Carl von Hund). Estava organizada em 7 classes: 1ª, Pastophoris; 2ª, Néocoris; 3ª, Melanophoris; 4ª, Chistophoris; 5ª, Balahata; 6ª, Astrônomo da Porta de Deus; 7ª, Profeta ou Saphenath Pancah. Este sistema hermético "visava revelar os segredos do antigo Egito"(17) e estava baseado no livro do "Crata Repoa" publicado em 1770, na Alemanha, onde figuravam os graus desta "antiga maçonaria". Após ter passado pelas Trevas (no 3°. Grau, na "Porta da Morte" do Mestre Osíris), de onde apenas sairia após ter adquirido "verdadeiros conhecimentos", e de ter atingido a Luz após a "Batalha das Sombras" do 4°. Grau - onde receberia o "escudo de Isis" -, o iniciado assistia no 5° Grau a uma representação da morte da Serpente - Typhon, por Horus, finda a qual o Balahata aprendia a "química" (isto é, a Alquimia), "a arte de decompor as substâncias e de combinar os metais":


D) Cagliostro e o Ritual da Maçonaria Egípcia

Este ritual, mais hermético do que alquímico-laboratorial, visto que ele aponta no sentido das "alquimias internas" (não psico-espirituais, mas fisiológico-espirituais), inclui umas "quarentenas espirituais", durante as quais cada um receberá propriamente o Pentágono (Estrela Flamejante), quer dizer, essa folha virgem sobre a qual os Anjos primitivos imprimiram os seus números e selos, e com a qual ele se tornará Mestre (...) e o seu espírito ficará cheio de um fogo divino e o seu corpo se tornará puro como o da criança mais inocente (...) com um poder imenso, não aspirando senão ao repouso para atingir a imortalidade e poder dizer dele próprio: Ego sum qui sum (Eu sou o que é). O objectivo do seu Rito -a imortalidade conquistada durante a vida física - pode ser resumido por uma frase extraída do seu catecismo: «Tendo sido criado à imagem e à semelhança de Deus, eu recebi o poder de me tornar imortal e de ordenar aos seres espirituais para reinar sobre a terra». Em 1784, Cagliostro fundou a Loja-mãe do seu Rito, "A Sabedoria Triunfante", mas o Rito em si parece não ter sobrevivido ao seu criador.


E) Os "Arcana Arcanorum" do Rito de Misraim e de Menfis-Misraim

Os "Arcana Arcanorum" (Mistério dos Mistérios) são os últimos graus do Rito de Misraim e do Rito de Menfis-Misraim que, embora constituídos nos começos do século XIX, estão baseados em textos do século XVIII (18), entre os quais provavelmente alguns de Cagliostro. No 88° Grau "o iniciado deve... receber os influxos celestes e... sentir bater nele a vida universal, depois de o «orvalho celeste» ter descido nele para fecundar o germe que ele traz dentro de si". Após o 89°, Grau, que "permite um contacto com o invisível", vem o 90º. Onde é dito que: «Toda a vida oscila entre estes dois polos: Matéria e Espírito; Bem e Mal; Felicidade e Sofrimento. Toda a iniciação deve conduzir-nos da Lua ao Sol, de Isis a Osiris, da Matéria à essência divina». Segundo Jean-Pierre Giudicielli (19) "É no grau do Cavaleiro Rosa Cruz que se desenvolve um Wuei Tan (via exterior) e não um Nei Tan, que é a obra mais avançada. Com efeito, o 18° Grau diz respeito às duas etapas clássicas da via exterior... Mas é sem equívoco possível, nos últimos graus de Misraim (87°, 88°, 89°, 90°), também chamados Escala de Nápoles, que residem certas chaves operativas da alquimia interna do Corpo de Glória (nei Tan), a qual já tinha sido anunciada no 12°. Grau de "Grande Mestre Arquitecto":

A suprema ambição dos Grandes Mestres Arquitetos é de fazer viver em eles a verdade e de comer o fruto da Árvore do conhecimento, de serem deuses.


Conclusão:  Estes ritos e rituais herméticos e alquímicos, aparecem no século XVIII, num contexto maçônico ou para-maçónico no ambiente iniciático que se pode denominar, numa perspectiva generalizada, de "Maçonaria dos Antigos", esotérica e mesmo ocultista.


Notas: 
(1) Escolhemos esta denominação para distinguir a alquimia que é praticada em laboratório -também denominada de "física": embora ela pretenda promover a espiritualização da matéria, e nesse sentido ela é também e essencialmente "espiritual" - das alquimias denominadas "psicológicas", "espirituais", etc., as quais também apresentam uma operatividade. 

(2) Para uma discussão deste tema, ver a minha Tese Complementar de Doutoramento em Antropologia, na mesma Faculdade, "A Alquimia operativo-laboratorial, como rito sacrificial"

(3) Veja-se a tradição de encontros entre alquimistas, na Catedral de Notre-Dame de Paris referida nos começos do século XX, pelo alquimista (ou alquimistas...) Fulcanelli (in "O Mistério das Catedrais", Lisboa, 1973, p.54): «Os alquimistas do século XIV encontram-se aí, no dia de Saturno, no grande portal ou no portal de S. Marcelo, ou ainda na pequena Porta Vermelha, toda decorada de salamandras. Denys Zachaire informa-nos que o hábito se mantinha ainda no ano de 1539, "nos domingos e dias de festa" e Noel du Fail diz que «o grande encontro de tais académicos era em Notre-Dame de Paris». Aí (...) cada um expunha o resultado dos seus trabalhos, desenvolvia a ordem das suas pesquisas. Emitiam-se probabilidades, discutiam-se possibilidades, estudava-se no próprio local a alegoria do belo livro e a exegese abstrusa dos misteriosos símbolos não era a parte menos animada destas reuniões.»

(4) Para uma sucinta, mas esclarecedora discussão desta diferença entre "antigos" e "modernos", veja-se o interessante livro de Jean Solis, Guide Pratique de la Franc-Maçonnerie, Ed. Dervy, Paris, 2001 (livro que contém, no entanto, algumas incorreções sobre as Obediências regulares no mundo, mas que o autor se propõe retificar brevemente, conforme comunicação pessoal recente).

(5) Dom Pemety, Rituel Alchimique Secret, Viareggio, Ed. Rebis, 1981.


(6) Foi tradutor (e comentador) de um tratado de matemáticas alemão, colaborou no 8°. Volume de Gallia Christiana, publicou um comentário da Regra de São Bento, com o título de Manuel bénédictin e, estando já destacado na Abadia de Saint-Germain des Prés, também um Dictionnaire portatif de peinture, de sculture et de gravure, procedendo nessa ocasião a estudos de Botânica ( cf. J. Bricaud, Les Illuminés d'Avignon, pp. 5-7).

(7) Redição em 1971, na Ed. Arché, Milão, e em 1982, nas Ed. La Table d'Emeraude, Paris.

(8) Reedição em 1972, em Milão, na Arché, e no mesmo ano, na Denoel, em Paris.

(9) Ver artigo 2 dos Estatutos a p. 3 do Rituel Alchimique Secret (op. cit.).

(10) J. Bricaud, op. cit., p. 33.

(11) cf. pp. 19-21 do Rituel Alchimique Secret (op. cit.)

(12) Bernard Roger, "Introdução" a Nouvelle Lumiere Chymique, Paris, Retz , 1976, p. 23. Ver também Zbigniew Sydlo, Michael Senvivogius and the «Statuts des Philosophes Inconnus", in "The Hermetic Journal", 1992, pp. 72-91.

(13) Michel Monereau, Les Secretes hermétiques de la Franc-Maçonnerie, Paris, Axis Mundi, 1989, p.27.

(14) ibid.; a tradução é nossa.

(15) Les Secrets Hermétiques de Ia Franc-Maçonnerie, pp. 26-27.

(16) ibid.; a tradução é nossa.

(17) Michel Monereau, op. cit., pp. 38-39

(18) Michel Monereau, op. cit., pp. 43-44.

(19) In Pour la Rose Rouge et la Croix d'Or, Paris, Axis Mundi, 1988, p. 68.



Bibliografia:

Anónimo -Les Initiations antiques -t. II -Crata Repoa ou Initiations aux anciens mystères des prêtres d'Égypte, Paris, 1770 (e 1821), reed., Rouvray, Les Éditions du Prieuré, 1993.

Amadou, Robert -Cagliostro et le Rituel de la Maçonnerie Égyptienne, Paris, SEPP, 1996.

Bayard, Jean-Pierre -Symbolisme Maçonnique Traditionel- II: Hauts grades et Rites anglo-saxons, Paris, EDIMAF, 3a. Ed. rev. e aum., 1987.

Bricaud, Joanny -Les Illuminés d'Avignon -étude sur Dom Pernety et son groupe, Paris, 1927 (reeditada em 1995, pela SEPP, Paris).

Caillet, Serge -Arcanes et Rituels de la Maçonnerie Égyptienne, Paris, Guy Trédaniel Ed., 1994.

-La Sainte Parole des Illuminés d' Avignon, in "Le Fil d' Ariane" no.43-44 (Été-Automne 1991), Walhain-St-Paul, Belgique, pp.19-51.

Caro, Roger -Rituel F.A.R.+C et deux textes alchimiques inédits, edição do autor, Saint Cyr-sur-Mer, 1972.

Faivre, Antoine -El Esoterismo en el siglo XVIII (trad. espanhola da obra L'Ésotérisme au XVIIIe Siècle, Paris, 1973), EDAF, Madrid, 1976.

Giudicelli de Cressac-Bachelerie, J.-P. -Pour la Rose Rouge et la Croix d'Or, Paris, Ed. Axis Mundi, 1988.

Labouré, Denis -De Cagliostro aux Arcana Arcanorum, in "L'Originel" no.2, Paris, 1995.

Mollier, Pierre -Contribuition à l' étude du grade de Chevalier du Soleil, p. I, II, III, in "Renaissance Traditionelle", Paris, respectivamente, nºs. 91-92 (Junho-Outubro de 1992), 93 (Janeiro de 1993) e 94-95 (Abril-Julho de 1993)

Monereau, Michel- Les Secrets Hermétiques de la Franc-Maçonnerie et les rites de Misraim et Menphis, Paris, Ed. Axis Mundi, 1989.

Naudon, Pzul -Histoire, Rituels et Tuileur des Hauts Grades Maçonniques, Paris, Ed. Dervy, 3a. Ed. ver. e aum., 1984.

Pernety, Dom -Rituale alchimico secreto -Rituel alchimique secret du grade de vrai Maçon Académicien ( composé en 1770 ), reedição das Edizione Rebis, Viareggio, Itália, 1981.

Solis, Jean J. -Guide pratique de la Franc-Maçonnerie, Paris, Ed. Dervy, 2001.

Tschoudy, Baron de -L'Étoile Flamboyante, ou la Société des Franc-Maçons considérée sous tous les aspects (1766), Gutemberg Reprint, Paris, 1979.

Tshoudy, Baron de- Touts les rituels alchimiques du Baron de Tschoudy, reedição das Éditions Arma Artis, Paris, s.d.

Ventura, Gastone -Les Rites Maçonniques de Misraim et Memphis, Paris, Eds. Maisonneuve & Larose, 1986.



Pesquisa feita por: José Manuel Anes - Instituto São Tomás de Aquino (Portugal). "Sobre os Rituais Herméticos e Alquímicos do Século XVIII".
Fonte: triplov.com

* Algumas palavras deste texto foram convertidas para o nosso idioma (Português-Brasil).

Versos Iluminados



Sinto que é chegada a hora...
Fecho então meus olhos e invoco a Luz da Sabedoria.
Sagrados pergaminhos eu leio, reflito, compreendo,
sou agora espírito, em sua plena sintonia.

O portal se abre e minha mente se expande...
Subo cada degrau na escada da evolução.
Solitário e em silêncio contemplo o universo,
as medidas, as formas, e os mistérios da criação.

Sou agora um átomo...
Partículas de um divino cosmos.
Entro na dança dos astros,
admirando o Sol e as coisas que um dia floresceram.

Sua música é a luz da verdade...
Linda, suave e eterna.
Que pena, que as trevas não a compreenderam.

André Victtor


Tolerância


Virtudes Maçônicas: Tolerância


A tolerância sendo uma virtude é, portanto, um valor. Valores, como é sabido, não podem ser definidos, entretanto, podem ser descritos e analisados de acordo com comportamento dos integrantes de uma sociedade.

A idéia de tolerância somente pode ser analisada, com certa precisão, se estiver interada socialmente, pois está indissoluvelmente atrelada ao agir das pessoas nesta mesma sociedade.

Para abordar esse tema tão subjetivo por se tratar de uma virtude e também, sendo um dos valores da nossa Ordem, deixo duas perguntas para a nossa reflexão: "Julgar que há coisas intoleráveis é dar provas de intolerância?" Ou, de outra forma: "Ser tolerante é tolerar tudo?" Em ambos os casos a resposta, evidentemente é não, pelo menos se queremos que a tolerância seja uma virtude.

Partindo da afirmação que Filosofar é pensar sem provas, somente espero não ter indo longe demais nas minhas divagações filosóficas.

No opúsculo O que é Maçonaria, temos a seguinte frase: “A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância. Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular”.

A definição acima aborda a tolerância maçônica no seu aspecto religioso e político que, sendo um valor é muito mais abrangente, discutível e contestável do que os apresentados.

Quem tolera a violação, a tortura, o assassinato deveria ser considerado virtuoso? Quem admite o ilícito com tolerância tem um comportamento louvável? Mas se a resposta não pode ser negativa, a argumentação não deixa de levantar um certo número de problemas, que são definições e limitações. Nem tão pouco podemos deixar de considerar às questões sobre o sentido da vida, a existência do G.'.A.'.D.'.U.'. e o valor dos nossos valores.

Tolerar é aceitar aquilo que se poderia condenar, é deixar fazer o que se poderia impedir ou combater? É, portanto, renunciar a uma parte do nosso poder, desejo e força! Mas só há virtude na medida em que a chamamos para nós e que ultrapassamos os nossos interesses e a nossa impaciência. A tolerância vale apenas contra si e a favor de outrem. Não existe tolerância quando nada temos a perder e menos ainda quando temos tudo a ganhar, suportando e nada fazendo. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que não somos vítimas, o horror que nos poupa não é tolerância, mas sim egoísmo e indiferença. Tolerar Hitler é tornar-se cúmplice dele, pelo menos
por omissão, por abandono e esta tolerância já é colaboração. Antes o ódio, a fúria, a violência, do que esta passividade diante do horror e a aceitação vergonhosa do pior.

É o que Karl Popper denomina como "o paradoxo da tolerância": “Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo com os intolerantes e não defendermos a sociedade tolerante contra os seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância”.

Uma virtude não pode ocultar-se atrás de posturas condenáveis e contestáveis: aquele que só com os justos é justo, só com os generosos é generoso, só com os misericordiosos é misericordioso, não é nem justo, nem generoso e nem misericordioso. Tão pouco é tolerante aquele que o é apenas com os tolerantes. Se a tolerância é uma virtude, como creio e de um modo geral, ela vale, portanto por si mesma, inclusive para os que não a praticam. É verdade que os intolerantes não poderiam queixar-se, se fôssemos intolerantes com eles. O justo deve ser guiado "pelos princípios da justiça e não pelo fato de o injusto poder queixar-se". Assim como o tolerante, pelos princípios da tolerância.
O que deve determinar a tolerabilidade deste ou daquele indivíduo, grupo ou comportamento, não é a tolerância de que dão provas, mas o perigo efetivo que implicam: uma ação intolerante, um grupo intolerante, etc., devem ser interditos se, e só se, ameaçam efetivamente a liberdade ou, em geral, as condições de possibilidade da tolerância.

Numa República forte e estável, uma manifestação contra a democracia, contra a tolerância ou contra a liberdade não basta para a pôr em perigo: não há, portanto, motivos para a proibir e faltar com tolerância. Mas se as instituições se encontram fragilizadas, se uma guerra civil ameaça, se grupos pretendem tomar o poder, a mesma manifestação pode tornar-se um perigo: pode então vir a ser necessário proibi-la ou impedi-la, mesmo à força e seria uma falta de prudência recusar-se a considerar esta possibilidade.

Estando diante de mais um paradoxo sobre a tolerância, para entende-la entramos por um caminho não muito claro e como não poderia deixar de ser exato, Karl Popper acrescenta: “Não quero com isto dizer que seja sempre necessário impedir a expressão de teorias intolerantes. Enquanto for possível contrariá-las à força de argumentos lógicos e contê-las com a ajuda da opinião pública, seria um erro proibi-las. Mas é necessário reivindicar o direito de fazê-lo, mesmo à força, caso se torne necessário, porque pode muito bem acontecer que os defensores destas teorias se recusem a qualquer discussão lógica e respondam aos argumentos pela violência. Haveria então de considerar que, ao fazê-lo, eles se colocam fora da lei e que a incitação à intolerância é tão criminosa como, por exemplo, a incitação ao assassínio. Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade”.
Moral e politicamente condenáveis, a tolerância universal não seria, nem virtuosa e nem viável. Ou por outras palavras: existe, de fato, coisas intoleráveis, mesmo para o tolerante! Moralmente condenado é o sofrimento de outrem, a injustiça, a opressão, quando poderiam ser impedidos ou combatidos por um mal menor. Politicamente é tudo o que ameaça efetivamente a liberdade, a paz ou a sobrevivência de uma sociedade.

Como vimos, o problema da tolerância só se põe em questões de opinião. Ora, o que vem a ser uma opinião senão uma crença incerta. O católico bem pode estar subjetivamente certo da verdade do catolicismo. Mas, se for intelectualmente honesto (se amar mais a verdade do que a certeza), deverá reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, ateu ou muçulmano, mesmo cultos, inteligentes e de boa-fé. Por mais convencido que possa estar de ter razão, cada qual deve, pois, admitir que não pode prová-lo, permanecendo assim no mesmo plano que os seus adversários, tão convencidos como ele e igualmente incapazes de convencê-lo. A tolerância, como virtude, fundamenta-se na nossa fraqueza teórica, ou seja, na incapacidade de atingir o absoluto. “Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconseqüentes, sujeitos à variação e ao erro. Humildade e misericórdia andam juntas e levam à tolerância”.

Um outro ponto a ser considerado prende-se mais com a conduta política do que com a moral, mais com os limites do Estado do que com os do conhecimento. Ainda que tivesse acesso ao absoluto, o soberano seria incapaz de impô-lo a quem quer que fosse, porque não se pode forçar um indivíduo a pensar de maneira diferente daquela como pensa, nem a acreditar que é verdadeiro o que lhe parece falso. Pode impedir-se um indivíduo de exprimir aquilo em que acredita, mas não de pensar.

Para quem reconhece que valor e verdade constituem duas ordens diferentes, existe, pelo contrário, nesta disjunção uma razão suplementar para ser tolerante: ainda que tivéssemos acesso a uma verdade absoluta, isso não obrigaria a todos a respeitar os mesmos valores, ou a viverem da mesma maneira. A verdade impõe-se a todos, mas não impõe coisa alguma. A verdade é a mesma para todos, mas não o desejo e a vontade. Esta convergência dos desejos, das vontades e da aproximação das civilizações, não resulta de um conhecimento: é um fato da história e do desejo dessas civilizações.

Podemos perguntar, finalmente, se a palavra tolerância é, de fato, a que convém. Tolerar as opiniões dos outros não é considerá-las como inferiores ou faltosas? Temos então um outro paradoxo da tolerância, que parece invalidar tudo que vimos anteriormente. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são liberdades de direito, então não precisam ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas e celebradas.

A palavra tolerância implica muitas vezes, na nossa língua, na idéia de polidez, de piedade ou ainda de indiferença. Em rigor, não se pode tolerar senão o que se tem o direito de impedir, de condenar e de proibir. Mas acontece que este direito que não possuímos nos inspira no sentimento de possuí-lo.

Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, os outros não estariam errados? E como poderia a verdade aceitar - senão, de fato, por tolerância - a existência ou a continuação do erro? Por isso damos o nome de tolerância àquilo que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar-se de respeito, simpatia ou de amor. Se, contudo, a palavra tolerância se impôs, foi certamente porque nos sentimos muito pouco capazes de amar ou de respeitar quando se tratam dos nossos adversários.

"Enquanto não desponta o belo dia em que a tolerância se tornará amável", conclui Jankélévitch, "diremos que a tolerância, a prosaica tolerância é o que de melhor podemos fazer! A tolerância é, pois uma solução sofrível; até que os homens possam amar, ou simplesmente conhecer-se e compreender-se, podemos dar-nos por felizes por começarem a suportar-se”.

A tolerância, portanto, é um momento provisório. Que este provisório está para durar, é bem claro e, se cessasse, seria de temer que lhe sucedesse a barbárie e não o amor! É apenas um começo, mas já é algum. Sem contar que é por vezes necessário tolerar o que não queremos nem respeitar e nem amar. Existem, como vimos, coisas intoleráveis que temos de combater. Mas também coisas toleráveis que são, no entanto, desprezíveis e detestáveis. A tolerância diz tudo isto, ou pelo menos autoriza.

Assim como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria a dos santos, a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles - todos nós - que não são nem uma nem outra coisa.



Opúsculo - O que é a Maçonaria
A Tolerância e a Ordem Normativa - Ir.'. Luciano Ferreira Leite
Sponville, André - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Lisboa: Ed. Presença, 1995


Sobre as nossas Finanças



A habilidade de gerenciar nossas finanças é crítica. Para nosso testemunho ao G.´.A.´.D.´.U.´. nos tem dado um mandamento eterno de sermos administrador dos recursos que ele colocou na terra. Um destes recursos, é claro, é o dinheiro.

No jardim do Éden, G.´.A.´.D.´.U.´. mandou Adão a guardar-se de uma porção da abundância do jardim. Por que deu a Adão tal ordem? Porque G.´.A.´.D.´.U.´. queria que Adão reconhecesse que ele era o proprietário de tudo, e que tinha colocado tudo aos cuidados de Adão.

O G.´.A.´.D.´.U.´. quis que Adão percebesse que ele era simplesmente o administrador dos recursos do Senhor. A mesma coisa é verdade para nós até hoje. Se nós vamos ser gerentes financeiros bem sucedidos, nós devemos reconhecer isto agora, tanto quanto Adão deveria ter reconhecido no Jardim do Éden, e que todo o mundo e toda a sua plenitude pertencem a ele, por tanto devemos cuidar para que tudo que nos e dado não seja destruindo. Deus não vai colocar grandes somas de riqueza em suas mãos se você tem buracos em seus bolsos!

A Bíblia nunca permite ou proíbe expressamente o ato de pedir dinheiro emprestado. A sabedoria da Bíblia nos ensina que normalmente não é uma boa idéia ficar endividado. Dívidas essencialmente nos tornam escravos daqueles a quem devemos. Ao mesmo tempo, em algumas situações endividar-se é um “mal necessário”. Enquanto o dinheiro for utilizado de forma sábia e os pagamentos da dívida forem gerenciáveis o ser humano pode tomar para si o fardo da dívida financeira, se necessário.

Quando um irmão empresta dinheiro a outro para fins comerciais, o emprestador pode esperar a devolução do empréstimo e também cobrar juros? Em Mateus 25:27 diz que aquele que toma emprestado põe o dinheiro a trabalhar por ele e a render mais, ai o emprestador pode de direito compartilhar da produtividade desse dinheiro se cobrar juros adequados. Entretanto em Êxodo 22:25, proibia a cobrança de juros sobre empréstimos feitos para aliviar a pobreza. O emprestador pode esperar receber de volta o que emprestou, mas é considerado errado lucrar com as dificuldades dum vizinho empobrecido. 

Seria um ato de misericórdia aquele que emprestar dinheiro e deixar de cobrar juros sobre o empréstimo. Ele estaria perdendo o apego neste dinheiro ao emprestá-lo. Ainda assim esta seria uma maneira de expressar gratidão a Deus pela sua misericórdia ao não cobrar juros de seu povo pela graças que lhe havia concedido. Assim como G.´.A.´.D.´.U.´. havia misericordiosamente tirado os israelitas do Egito quando eles eram nada além de escravos sem valor algum, e dado a eles uma terra, assim Deus também esperava que eles tivessem uma compaixão similar para com os seus próprios povo pobres.

Os cristãos estão em uma situação paralela. A vida, morte e ressurreição de Jesus pagaram ao G.´.A.´.D.´.U.´. o nosso débito causado pelo pecado. Agora, assim que tivermos oportunidade, nós podemos ajudar outros em necessidade, particularmente nossos irmãos, com empréstimos que não aumentem os seus problemas. 

Na construção do templo de Salomão todos tinha que trabalhar na obra e poucos tinha tempo suficiente de plantar a terra para comer, e pagar suas contas. Os nobres aproveitam-se desta situação, para emprestar dinheiro cobrando juros. Como não tinha como pagar, ia dando seus bens e escravizado seus filhos como forma de pagamento. 

Os nobres agiram contra a vontade do G.´.A.´.D.´.U.´. e emprestaram cobrando juros, de outros. O ânimo dos edificadores ficou enfraquecido, devido às duras perdas que os mais pobres sofriam. Como conseqüência a execução das obras também ficaram prejudicadas.

Em Levítico 25:35-37 diz: "Se alguém do meu povo empobrecer e não puder sustentar-se, ajudem-no como se faz ao estrangeiro e ao residente temporário, para que possa continuar a viver entre vocês. Não cobrem dele juro algum, mas temam o seu Deus, para que o seu próximo continue a viver entre vocês. Vocês não poderão exigir dele juros nem emprestar-lhe mantimento visando lucro".

Em Gênesis 3:19 diz ‘’No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás.

Estas palavras nos mostram que deste mundo não levaremos nada além do que podemos lapidar no espírito. Por isso que devermos refletir sobre nossos valores, pensar para que viemos ao mundo? Porque muitos têm que aprender pela dor? porque muitos só aprendem depois de passarem por maus momentos?. 

Caros Irmãos lembre que quando ajudamos o próximo estamos ajudando a nós mesmos, assim tornaremos nosso próprio caminho mais suave, lembre-se que a maior riqueza que pode ter o homem é a riqueza do espírito. 

Trabalho feito por:
M.´.M.´. Antônio Jacinto de Faria Martins
Aug.´. Resp.´. Loja Maçônica Fraternidade Justiça e Trabalho n:37
Or: Guaxupé MG

Iniciação de Dom Pedro I


A iniciação de D. Pedro contribuiu fortemente para o processo de emancipação brasileira e isto interessava à Maçonaria como também interessava a D. Pedro estar apoiado pelos Maçons, já que formavam à época uma forte corrente política.

Após terem obtido a adesão dos irmãos de São Paulo, Minas Gerais e Bahia, aqueles maçons resolveram fazer um apelo a D. Pedro para que permanecesse no Brasil e que culminou, como se sabe, com a celebre frase: “Como é para o bem de todos e felicidade geral da nação, estou pronto, diga ao povo que fico”.

Entretanto, não parou ai os trabalhos dos maçons. Teve início, logo em seguida, um movimento coordenado entre os irmãos de outras províncias brasileiras objetivando promover a Independência do Brasil.

Em 09 de janeiro de 1822, o conhecido episódio do “Fico” teve a inspiração e liderança dos Maçons José Joaquim da Rocha e José Clemente Pereira. “O Príncipe Regente recebeu três documentos feitos sob inspiração e liderança maçônica rogando por sua permanência no Brasil em descumprimento dos Decretos nº 124 e 125 das Cortes Portuguesas.

O documento paulista foi redigido por José Bonifácio de Andrada e Silva, o documento dos fluminenses foi redigido pelo Frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, orador da Loja “Comércio e Artes” e o documento dos mineiros foi liderado por Pedro Dias Paes Leme.

No Convento “da Ajuda, na cela do Frei Sampaio reuniam-se os líderes do movimento”. Este fato pitoresco de Maçons, de reunirem-se em segredo num Convento tem conotação com as reuniões que hoje são realizadas nas Lojas Maçônicas, guardadas as devidas proporções.

Decidida a questão do “Fico”, acentua-se o processo de discussão e sob a liderança de Joaquim Gonçalves Ledo a Maçonaria decide, por proposta do brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto, outorgar a D. Pedro o título de “Defensor Perpétuo do Brasil”. Tão logo foi fundado o Grande Oriente Brasílico José Bonifácio de Andrada e Silva foi escolhido como Grão Mestre e Joaquim Gonçalves Ledo como Primeiro Grande Vigilante. Havia, no entanto uma luta ideológica entre os Grupos de Bonifácio e de Ledo.


Ata de Iniciação de Dom Pedro I

D. Pedro foi iniciado na Loja “Comércio e Artes” no dia 02 de agosto de 1822 adotando o nome histórico de Guatimozin. No dia 05 de agosto, ou seja, três dias depois se tornava Mestre Maçon.

Fonte: http://www.obreirosdeiraja.com.br





Biografia de Jakob Böhme

Jakob foi um Místico Cristão da Ordem do Amanhecer. Ele não chegou a ser um maçom, mas observe em sua biografia o elevado grau de espiritualidade. Ele conheceu a "Senda" (o caminho iluminado)...



Jakob Böhme por vezes grafado como Jacob Boehme, nasceu em 1575 na pequena cidade de Alt Seidenburg, distante uma légua e meia de Gorlitz, na Alemanha. Seus pais, Jacob e Ursula, eram luteranos, simples e honestos.

O primeiro emprego do pequeno Jacob foi de pastor de ovelhas em Lands-Krone, uma montanha nos arredores de Gorlitz. A única espécie de educação que teve foi recebida na escola da cidade de Seidenberg, que ficava a uma milha de sua casa.

Aos quatorze anos aprendeu o ofício de sapateiro. Em seguida, viajou pela Alemanha como artífice, sempre no mesmo ramo. Por volta de 1599, retornou a Gorlitz onde veio a ser um mestre em sua profissão. Casou-se com Katherine Kuntzschmann, com quem teve quatro filhos, a um dos quais ensinou seu ofício.

Relatou a um amigo que, durante o tempo de seu aprendizado, quando seu mestre estava ausente, viu entrar na sapataria onde trabalhava, uma figura de aspecto venerável, um estranho vestido de forma simples, querendo comprar um par de sapatos que já havia escolhido.

Julgando-se incapaz de lidar com vendas, Boehme fez-lhe um preço muito alto, crendo que o estranho recusaria e ele não seria repreendido pelo dono, seu mestre. O comprador, entretanto, pagou o preço estipulado e se afastou. Após ter dado alguns passos para fora da oficina, chamou com voz alta e firme: " Jacob! Venha cá! ".

O jovem, a princípio assustou-se ao ouvir aquele desconhecido chamá-lo pelo nome de batismo, depois, decidiu atendê-lo. O forasteiro, com ar sério mas amável, disse-lhe: "Jacob, você é ainda muito pequeno, mas será grande e se tornará outro homem, e será objeto da admiração de todos. Isto porque é piedoso, crê em Deus e reverencia sua Palavra, acima de tudo. Leia cuidadosamente as Santas Escrituras, nas quais encontrará consolo e instrução, pois sofrerá muito; terá de suportar a pobreza, a miséria e as perseguições; mas seja corajoso e perseverante, pois Deus o ama". Em seguida, fixando-o bem nos olhos, apertou-lhe a mão e se foi, sem deixar qualquer indício.

Voltando a si do espanto, Boehme renunciou os prazeres da juventude folgazã e nunca mais abandonou a leitura das Santas Escrituras, tornando-se mais austero e mais atento a todos os seus atos.

Boehme era de natureza humilde, sensível e contemplativa. Além da bíblia, estudou as obras de Paracelso e os tratados místicos de kaspar Schwenkfeld e de Valentin Weigel. Schwenkfeld e Weigel foram dois teólogos luteranos que romperam com a ortodoxia luterana para se dedicarem a uma doutrina mística. O primeiro foi fundador da seita dos Schwenkfelders que posteriormente veio a adotar as ideias de Boehme. Weigel, que havia sido influenciado pelas obras de Eckartausen, Teuler, Paracelso e do pseudo Dionísio, divulgava uma doutrina gnóstica de caráter panteísta.

Desde cedo, Jacob Boehme entregara-se à crença em Deus com toda a simplicidade e humildade de seu coração. Ao mesmo tempo em que era combatido, lutava, inconformado, porque os outros não podiam conhecer a verdade. Seu coração simples solicitava e procurava, fervorosamente, praticar e aplicar-se ao amor pela verdadeira piedade, pela virtude, e a levar uma vida reclusa e honesta, privando-se de todos os prazeres da vida social. Por ser isto absolutamente contrário aos costumes de então, ele adquiriu vários inimigos.

Depois de ganhar a vida com o suor de seu rosto, como um laborioso trabalhador, no ano de 1600, quando tinha 25 anos, Boehme sentiu-se envolvido pela luz Divina. Estava sentado em seu quarto, quando seus olhos caíram sobre o prato de estanho polido que refletia a luz do sol com um esplendor maravilhoso. Isso levou Boehme a um êxtase inesperado e pareceu-lhe que a partir daquele momento podia contemplar as coisas na profundidade de seus fundamentos.

Pensou que fosse apenas uma ilusão e, para expulsá-la de sua mente, saiu para o jardim. Mas aí observou que contemplava o verdadeiro coração das coisas, a autêntica grama, a verdadeira harmonia da natureza que havia sentido interiormente. Percebeu a sua essência, uso e propriedades, que lhe eram reveladas através das linhas e formas. Desta maneira compreendeu toda a criação e mais tarde escreveu um livro sobre os fundamentos daquela revelação, intitulado "De Signatura Rerum".

Boehme encontrou alegria no conteúdo daqueles mistérios, voltou para casa e cuidou de sua família, vivendo em paz e silêncio sem revelar a ninguém as coisas que lhe haviam sucedido.

Dez anos mais tarde, no ano de 1610 viu-se novamente invadido por aquela luz. Todavia, aquilo que nas visões anteriores lhe havia aparecido de modo caótico e multifacético, pode agora ser reconhecido como uma unidade, tal como uma harpa em que cada uma de suas cordas fosse, por si só, um instrumento separado, enquanto que o todo constitui a harpa. Agora reconhecia a ordem divina da natureza. Sentiu necessidade de por em palavras o que havia visto, para preservar suas recordações. Descreveu, então, o fato da seguinte maneira:

"Abriu-se para mim um largo portão e em um quarto da hora vi e aprendi mais do que veria e aprenderia em muitos anos de universidade. Por essa razão, estou profundamente admirado e dirijo a Deus minhas orações, agradecendo-lhe por isto. Porque vi e compreendi o Ser dos seres, o Abismo dos abismos e a geração eterna da Santíssima Trindade, o descendente e origem do mundo de todas as criaturas, pela divina sabedoria: Soube e vi por mim mesmo os três mundos, ou seja, o divino (angelical e paradisíaco), o das sombras (que deu origem e natureza ao fogo) e o mundo exterior e visível (sendo à procriação ou o nascimento exterior tanto do mundo interior como do espiritual). Vi e conheci toda a essência do trabalho o mal e o bem original e a existência de cada um deles; e também como frutificou com vigor a semente da eternidade. E isso de tal forma que dela fiquei desejoso e rejubilei-me".

Para não esquecer a grande graça que acabara de receber e para não desobedecer a um mestre tão santo e consolador, decidiu escrever em 1612, embora sua situação, financeira não fosse boa e não possuísse um livro sequer, com exceção da Bíblia.

Surgiu então seu primeiro livro: "Die Morgenrotte im Aufgang" (O vermelho Matutino), que foi posteriormente chamado por um de seus seguidores, o Dr. Balthazar Walter, de "Aurora". Este livro não foi mostrado a ninguém, a não ser a um cavalheiro muito conhecido, Karl von Endern, que se encontrava por acaso em sua casa.

Era desejo de Boehme que este livro jamais fosse impresso. Todavia, acabou por ceder à insistência de Endern, e lhe emprestou o livro. Mas este, desejando possuir esse tesouro oculto, separou e distribuiu as folhas a alguns amigos que se puseram a copiá-lo. Deste modo começaram a correr rumores que acabaram por chegar aos ouvidos do pastor de Gorlitz, Gregor Richers. Este, mesmo sem ter lido ou examinado o livro, condenou-o do púlpito quando pregava e, esquecendo completamente a caridade cristã, caluniou e injuriou seu autor, a ponto de o magistrado de Gorlitz ser forçado a intimar Boehme a comparecer com o manuscrito.

Boehme compareceu, e perante os magistrados recebeu ordem de deixar a cidade imediatamente, sem mesmo ver a família e colocar os negócios em ordem. Submeteu-se a essa determinação, porém, desejava saber o que havia de errado com ele. Em resposta o pastor declarou que desejava vê-lo preso e longe da cidade.

Posteriormente, a ordem do magistrado foi revogada e notificaram Boehme de que poderia morar em Gorlitz e trabalhar em sua profissão, contanto que não escrevesse mais sobre assuntos teológicos, acrescentando: "Sutor ne ultra crepidam", isto é "O sapateiro não vai além das sandálias".

Boehme esperou pacientemente que cessassem as denuncias (de 1.613 a 1.618), o que aconteceu; muito pelo contrário, recrudesceram; mas nem por isso deixou de orar por aqueles que o condenaram. Sentia-se infeliz em seu silêncio forçado. Tempos depois, referindo-se a esse período diria que se comparava a uma semente que, oculta no seio da terra, desenvolvia-se apesar do mau tempo e das tempestades.

Santa e pacientemente, submeteu-se ao veredicto que recebera e permaneceu sete anos sem escrever. Entretanto, um novo impulso de seu interior veio despertá-lo. Além disso, pessoas crentes e versadas nas ciências da natureza estimularam-no a continuar sua obra e a "não esconder a lâmpada debaixo da cama".

Decidiu-se, então, a recomeçar a escrever e muitas obras surgiram: "Von der Drei Principien Gottliches Wesens" (Os Três Princípios da Natureza de Deus) em 1619; "Vom Dreifachem Lebem des Menchen" (A Vida Tríplice do Homem), "Vierzig Fragen von der Seele" (Quarenta Questões da Alma), "Von der Mens-chwerdug Jesu Christi" (A Encarnação de Jesus Cristo), "Von Sechs Theosophischen Punkten" (Seis Pontos Teosóficos), "Grundlicher Bericht von dem Irdischen und Himmlischen Mysterio" (Relato Metódico do Mistério Terrestre e Celeste) em 1620; "Von der Geburt und Bezei-chnung Aller Wesen" (O Nascimento e a Marca de Todas as Coisas), mais conhecido como "Signatura Rerum", em 1621; "Von der Gnadenwahl" (A Escolha da graça) em 1623; "Betrachtung Gottlicher Offenbarung" (Os Três Princípios da Revelação Divina) e "Der Wegzu Christo" ( O Caminho Para o Cristo) em 1624.

Cada livro que Boehme escreveu marcou nele, segundo suas próprias palavras, o crescimento do "lírio espiritual", ou seja, o amadurecimento da vida, sempre para a Luz do Espírito, o "novo nascimento de Cristo". O "crescimento do lírio" está acontecendo sempre, é a triunfante autorealização da perfeição de Deus; Boehme via o universo como um grande processo alquímico, uma retorta destilando perpetuamente os metais para transmutá-los em ouro celestial.

O Dr. Balthazar Walter, que fez numerosas viagens durante sua vida, permanecendo inclusive seis anos entre os árabes, os sírios e os egípcios, para aprender com eles a verdadeira sabedoria oculta, sustentava que havia encontrado alguns fragmentos dessa ciência aqui e ali, mas em nenhuma parte ela era tão profunda, tão pura, como a de Jacob Boehme, este homem simples, esta pedra angular rejeitada pelos sábios dialéticos e pelos doutores metafísicos da Igreja. Por isso deu-lhe o nome de "Philosophus Teutonicus" (Filósofo Alemão) tanto para distingui-lo das outras nações, como para evidenciar suas eminentes qualidades entre seus compatriotas, tendo em vista que fora sempre muito austero em sua conduta e sempre levara uma vida cristã, humilde e resignada.

A morte de Boehme ocorreu em um domingo, 20 de novembro de 1624. Antes de uma hora, Boehme chamou Tobias, seu filho, e perguntou-lhe se não havia escutado uma maravilhosa música. Pediu-lhe, então que abrisse a porta do quarto, para que a canção celestial pudesse ser melhor ouvida.

Mais tarde perguntou que horas eram, e quando lhe responderam que o relógio havia soado as duas horas disse: "Ainda não chegou a minha hora, mas dentro de três horas será a minha vez". Depois de uma pausa, falou de novo: "Ó Deus poderoso, salva-me, de acordo com Tua Vontade". E outra vez disse: "Tu Cristo crucificado, tem piedade de mim e leva-me contigo ao teu reino".

Deu então, à sua esposa certas instruções com referência a seus livros e outros assuntos temporais, dizendo-lhe também, que ela não sobreviveria por muito tempo (como de fato ocorreu e, despedindo-se de seus filhos, disse: "Agora entrarei no Paraíso".

Então pediu a seu filho mais velho, cujos olhos pareciam prender Boehme a seu corpo, que se virasse de costas e, com um profundo suspiro, sua alma abandonou o corpo, indo para a terra à qual pertencia; entrando naquele estado que só é conhecido por aqueles que fizeram da Iniciação, o motivo de sua existência.

Fonte: www.hermanubis.com.br (pelo Amado Irmão Sephariel - Hermanubis USA)




Rito Antigo e Primitivo de Memphis Misraïm



Um Rito antigo, com mais de 200 anos, que suscita um vivo interesse e tem obtido um grande desenvolvimento a nivel internacional. Fiel aos seus princípios de base, ele se afirma como um Rito tradicional, simbólico, espiritualista, de tolerância e de liberdade.

Penetrando no Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraim, colocais o pé sobre o caminho de Tradição, do respeito aos valores humanistas e da tolerância. Este Rito se carateriza por uma busca iniciática sob uma orientação Espiritualista e Deísta, tendo por vocação conservar e transmitir a reflexão filosófica, os símbolos do Egito antigo e das diferentes correntes que marcaram a nossa civilização (Hermética, Gnóstica, Cabalística, Templária e Rosa+Cruz), sendo uma busca de livre reflexão para a compreensão melhor de si mesmo e da humanidade. Tal é o espírito da Maçonaria de tradição que entende haver em cada ato o visível e o invisível, o positivo e o negativo, um presente fugidio, ou mesmo inexistente, trazendo já o germe do seu futuro. Os Franco-maçons deste Rito são convidados a refletir. É proposto um aprendizado e uma metodologia fundados sobre o conhecimento dos símbolos, instrumentos vivos que, numa dinâmica constante, recoloca em questão o já adquirido. Assim, segundo a tradiçâo do Rito, o Maçom "talha a sua pedra" continuamente para afinar a sua percepção e desenvolver o seu discernimento. Ele se dirige ao interior de cada um numa rica experiência intimista que, por ressonância, modifica o exterior fazendo evoluir os seus conceitos e a sua visão do mundo, pois está comprometido com a maior aventura possível, a conquista de si mesmo.



Fonte: iss-ic-memphis-misraim.com

Biografia de Benjamin Franklin

"Achar que o mundo não tem um criador é o mesmo que afirmar que um dicionário é o resultado de uma explosão numa tipografia."


Franklin e muitos outros maçons juntaram os seus recursos em 1731 
e iniciaram a primeira biblioteca pública de Filadélfia.


Benjamin Franklin nasceu em Boston no dia 17 de janeiro de 1706 e faleceu na Filadélfia em 17 de abril de 1790. Foi um jornalista, editor, autor, filantropo, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e enxadrista estadunidense.

Foi um dos líderes da Revolução Americana, conhecido por suas citações e experiências com a eletricidade. Religioso, calvinista, e uma figura representativa do iluminismo. Correspondeu-se com membros da sociedade lunar e foi eleito membro da Royal Society.

Em 1771, Franklin tornou-se o primeiro Postmaster General (ministro dos correios) dos Estados Unidos. Benjamin Franklin foi a mais nova de 17 crianças nascidas dos dois casamentos de Josiah Franklin, comerciante de velas de cera.

Jornalista e tipógrafo desde os 15 anos, começou no jornal de seu irmão James, "The New England Courant", em Boston. Em 1729, comprou o "Pennsylvania Gazette". Seu grande sucesso como editor foi o "Almanaque do Pobre Ricardo". Publicado a partir de 1732, o anuário de informações gerais era cheio dos provérbios de Franklin, como: "um tostão poupado é um tostão ganhado".

Neste período, além de editor, liderou o grupo que criou a primeira biblioteca pública da Filadélfia. Foi também um dos fundadores da Universidade da Pensilvânia, onde ergueu o primeiro hospital público da colônia que seria os Estados Unidos.

Em 1748, vendeu a editora para se tornar cientista em tempo integral. Suas descobertas sobre a eletricidade lhe trouxeram uma reputação internacional. Além de ser eleito membro da Royal Society, ganhou a medalha Copley em 1753 e seu nome passou a designar uma medida de carga elétrica.

Franklin identificou as cargas positivas e negativas e demonstrou que os trovões são um fenômeno de natureza elétrica. Esse conhecimento serviu de base para seu principal invento, o pára-raios. Ele criou também o franklin stove (um aquecedor a lenha muito popular) e as lentes bifocais.

Franklin revolucionou a meteorologia. Com base em conversas com agricultores notou que a mesma tormenta percorria várias regiões. Assim, criou mapas meteorológicos semelhantes aos usados ainda hoje para substituir os gráficos usados até então.

O inventor provou ser ainda um hábil administrador público, porém, usava a influência em favor de familiares. O seu mais notável feito no governo foi a reforma do sistema postal. Foi embaixador das colônias no Reino Unido e, depois da independência americana, representante dos Estados Unidos na França, onde se tornou uma figura popular na sociedade parisiense.

Em 1785, Franklin foi chamado de volta aos Estados Unidos e honrado com um retrato pintado por Joseph Siffred Duplessis para a Galeria do Retrato Nacional, do Instituto Smithsoniano, em Washington, como um dos heróis da independência. Ele participara da redação da "Declaração de Independência" e da Constituição. Engajou-se na campanha abolicionista e continuou com a popularidade em alta.

Quando morreu, aos 84 anos, o funeral foi acompanhado por 20 mil pessoas.


Fonte: UOL Educação

Coletânea: Além do Último Grau

" Ao olhastes profundamente para o firmamento, entenderás então que o firmamento também olhas para ti. O cintilar dos astros luminosos, são na verdade os indicadores desta conexão... "



"Ali estava eu novamente, em frente ao computador, terminando de editar algumas correções e ajustando finalmente a diagramação de um livreto maçônico denominado: Ritual do Aprendiz Maçom, de propriedade da loja maçônica onde fui iniciado, tarefa essa que me foi passada por um Amado Irmão, a quem dedico também essa obra com muito carinho, pois foi dele que escutei essas eternas palavras: “ Você somente entenderá o que é a Maçonaria, quando ela realmente entrar dentro de você... ”.


Naquela noite eu estava muito inspirado, pois durante a semana que passava, eu já havia começado a ler alguns capítulos de um livro sobre a Maçonaria Metafísica do Irmão Rizzardo da Camino, onde uma coincidência misteriosa já havia acontecido alguns dias atrás, pois uma borboleta havia pousado bem na capa daquele livro, justamente quando eu dirigia algumas perguntas à memória daquele escritor já falecido, sendo a borboleta a imagem principal, na qual se faz uma certa referência a logomarca da loja onde sou membro.

Levantei então da mesa e fui lá pra fora em meu jardim, para esticar um pouco as pernas e os braços. O céu estava bem nublado e somente uma pequena parte do firmamento era exibida, mas não dava ainda pra ver as estrelas naquela noite.


Comecei então a pensar sobre tudo que já havia lido e aprendido durante esses últimos meses, e então, olhando para aquele pedaço de céu descoberto, resolvi fazer algumas perguntas ao Grande Arquiteto do Universo: “ Meu Senhor Deus, Criador do Céu e da Terra, e de todas as espécies de vidas existentes neste Universo infinito, se realmente o Senhor estás me escutando agora, me envie um sinal no Céu para que eu possa fortalecer a minha fé e continuar minhas pesquisas nos seus augustos mistérios... ”.


E antes mesmo que eu terminasse de formular as minhas perguntas, uma linda estrela cadente passou naquele pequeno espaço de céu sem nuvens. Aquela resposta foi me dirigida de forma imediata e aquilo me instigou a continuar as minhas obras, que a partir de agora compartilho com você leitor, os augustos mistérios sob um ponto de vista filosófico e metafísico, abrangendo toda a história e os conceitos da Maçonaria."
 Em breve o livro:
Além do Último Grau - volume 1
.'. O Grande Arquiteto do Universo .'.



" Maçonaria é o estudo das ciências e a prática das virtudes "




A Flauta Mágica de Mozart


Representada pela primeira vez no Theater auf der Wieden de Viena, a 30 de setembro de 1791, a obra obteve um êxito imediato, perante a satisfação de Mozart, apesar de o músico escrever em outubro do mesmo ano: "Aquilo que me faz mais feliz é a aprovação silenciosa!".


Decorria o ano de 1790 e a capital austríaca estava a atravessar um árduo período de desorientação sombria. A dura fase de adaptação imposta pela subida ao trono de Leopoldo II, sucessor do seu irmão José II, não era certamente facilitada, devido às preocupantes notícias procedentes da França, que naquela época estava submergida em plena revolução.


Naquele clima de incertezas e suspeitas, a maçonaria, em particular, que tanto despertara o interesse de Mozart, especialmente pelo espírito de fraternidade que promovia, caiu em desgraça. Por outro lado, o compositor também não estava a viver a época mais fácil da sua vida. A saúde dava-lhe continuamente razões para preocupar-se, a sua situação financeira estava seriamente comprometida e o teatro da corte afastara Lorenzo da Ponte, grande amigo de Mozart e seu libretista mais valioso, da sua convivência.


Foi exatamente nesse momento que Emanuel Johann Schikaneder, empresário de um pequeno teatro popular situado nos arredores de Viena, o Freihaus Theather, propôs a Mozart a composição da música para um singspiel , a opereta alemã. Este gênero, bastante recente na época, estava diretamente inspirado na Opéra comique francesa (muito apreciada em Viena desde 1752) e abrangia uma combinação heterogênea de diversos ingredientes que iam da ária italiana à romança francesa, passando pelos lieder alemães. A proposta de Schikaneder não podia deixar de suscitar o entusiasmo de Mozart que, dois anos antes, numa carta dirigida ao seu pai, afirmara ser "capaz de adaptar ou imitar qualquer gênero musical ou estilo de composição". O compositor sentia também uma simpatia bastante especial por Schikaneder, autor do libreto e, sobretudo, extravagante personagem, admirador incondicional do teatro espetacular, excelente intérprete das obras de William Shakespeare e, na sua forma de viver, abertamente contrário a todas as convenções sociais.


As fontes literárias que influíram mais diretamente na obra do libretista foram Sethus, o romance de J. Terrason (que contém abundantes referências aos ritos egípcios e às provas de iniciação), e a fábula Lulú, de Liebeskind, que se inseria no inesgotável filão da Zauberoper (ópera mágica), um gênero que ganhava cada vez mais popularidade nos teatros alemães, graças sobretudo, aos fascinantes efeitos conseguidos pelas encenações na representação dos elementos mágicos.


Na verdade, o texto sofreu uma transformação profunda durante a fase de redação. Essa transformação teve como resultado final um libreto de aspecto muito diferente ao dos textos puramente fantásticos que durante aqueles anos estavam muito em voga. Isso deveu-se, sem qualquer dúvida, ao acréscimo de ritos de clara inspiração maçônica, que contribuíram bastante para enriquecer o significado íntimo da ópera.


No que diz respeito à música desta ópera, a grandeza e genialidade de Mozart reside por um lado, em ter sabido conferir, de uma maneira verdadeiramente magistral, uma grande unidade às diversas vertentes estilísticas típicas do Singspiel, elaborando novíssimos princípios formais e também de equilíbrio e por outro lado, em ter utilizado, com uma destreza que poderia ser considerada excepcional, o vasto panorama dos estilos como poderoso meio expressivo.

O êxito de A Flauta Mágica foi imediato e colossal. Basta mencionar que, só no primeiro ano foram efetuadas mais de uma centena de representações, e que o próprio Goethe declarou que aquela música era a única digna de acompanhar seu Fausto. No entanto, Mozart saboreou muito pouco da aceitação unânime do público, visto que morreu cerca de um mês depois da estréia.  ( Fonte: www.suigeneris.pro.br  )


Resenha da Ópera:
Papageno e Tamino são dois personagens dessa história. No final eles percebem que tinham uma visão equivocada sobre Sarastro, influenciada pela Rainha da Noite. Depois de conhecerem melhor o Sarastro e a irmandade de Ísis e Osíris, eles desejam também serem membros dessa ordem. Mas Sarastro diz à eles que então deverão passar por um julgamento e muitas provas a fim de que sejam aceitos. Daí em diante, têm início aos preparativos para a Iniciação de Tamino e de Papageno, que vendados saem de cena. 

Assista a Ópera: A Flauta Mágica de Mozart em 10 partes:





























A Pedra em Bruto



Na reunião passada, ao entrar em minha Loja, tropecei neste pedaço de rocha que chamamos Pedra Bruta e que ornamenta minha coluna.
Com certa ironia, dei meia volta e lhe disse: “Desculpa, Pedra Bruta”. Surpreso, escutei que me respondeu: “Não há de que, Maçom Bruto”.

Ofendido, voltei e lhe disse: “Ah! Então falas também ?”

“Sim, me disse. E o que é melhor, penso no que digo. Pena me dá ver que IIr.'. como tu me tem em tão pouca estima. Passam e passam sem sequer me dar um olhar compassivo, ou tão sequer um gesto amável.

Isto me irrita, porque me dou conta de quão pouco compreendem a grandeza que encerro dentro do meu significado. Aqui onde me vês, não fui sempre o que sou; eu venho dos penhascos, das alturas; onde podia ver o Sol antes de todos e desfrutar de seus suaves raios, enquanto tu vivias na penumbra. Eu aspirava o ar puro e fresco, e quando o furacão te causava espanto e medo, eu simplesmente ria. Minha massa ereta, firme e segura recortava, com o meu perfil perfeito, o infinito azul do horizonte.

Nas mudanças de estações, as transformações atmosféricas depositavam em mim copos alvos, que me faziam parecer mais pura e branca, e ao coroar minhas têmporas, me fazia sentir orgulhosa de receber a oferenda do espaço. Depois as fazia escorregar por mim, transformadas em cascata clara e cristalina, onde o Sol adornava com sua luz o Arco Íris. A minha altura, somente os condores chegavam e era agradável ver a meus pés, como ajoelhada ante minha grandeza, a imensa esmeralda do vale bordada de lantejoulas de mil cores.

Os rios, os animais, as flores, não faziam mais que emoldurar a minha beleza. Meu orgulho chegou a tal grau, que me cria invencível, inacessível, eterna. Porém, quão equivocada eu estava. Um dia o universo, como querendo demonstrar meu erro, desatou sua fúria e mandou sobre mim um raio que com sua luz, cegou meus olhos e, ao terrível impacto, voei em mil pedaços.

Me precipitei no abismo, e a medida que rodava, mais pequena me fazia, e rodando e rodando fui descendo até ficar no fundo do barranco. Chorei de raiva ao me ver nesta infinita impotência, quando os elementos deformaram mais e mais minha outrora orgulhosa presença. Assim permaneci não sei quanto tempo, até que, igual a outras pedras companheiras de infortúnio, nos transportaram.

E voltou a renascer minha esperança. Pensei que talvez, por minha linhagem nobre, seria colocada em lugar que me correspondesse.  “Serei agora um monumento” - pensava - com minha presença simbolizarei o coração duro e inflexível da razão; ou serei a venda que representa a imparcialidade em todos os juízos. Talvez formarei parte do monumento a Pátria, eternizando com minha presença, as glórias de um povo.

Gostaria de ser a coroa de louro que cinge as têmporas do patriota ou talvez, porque não, serei parte integrante do monumento à Mãe, para que as gerações futuras vejam que, com minha cooperação, se imortaliza o amor mais puro que existe. Com que carinho acolheria a idéia de ser o braço da mãe que envolve o menino em eterna caricia; ou os olhos que vêem com doçura a terna criança; ou as lágrimas que as mães vertem ante à ingratidão de seus maus filhos; isso teria querido ser.

Depois de ser grande, seguir sendo-o, não em tamanho, mas em espírito, em essência. Quantas e quantas ilusões me fiz. Quantos desejos de altura e grandeza. Mas porém, aqui me tens, tão dura e feia como no barranco, tão grotesca que causo pena, e se não me esculpem é porque nem para isso tenho forma. Não haverá um artífice que me transforme, que me dê vida ?

Maçom, só tenho servido para representar-te, para que vejas em mim as tuas imperfeições, teus vícios e tua ignorância. Sou agora o exemplo do mal. Todavia, às vezes me envergonho de que me comparem com alguns de vocês. Há pouco me vês, mas eu tenho visto tantos e tantos que por aqui entraram que até perdi a conta.

Me perguntou: onde estão agora tantos MM.'. que aqui vieram jurar fraternidade, lealdade e amor a esta augusta instituição?

Onde estão os MM.'. que aqui se iniciaram ?

Eu não sei, nem me explico. Só sei que saíram para nunca mais voltar, e que andarão por aí dizendo: “Sou M.'.M.'.”.  E isto me dá pena e lástima, não pela Maçonaria, senão por eles que não foram capazes de ver mais além de seus narizes; porque ilusos, acreditaram que a Maçonaria é feira de vaidade, quando melhor deveriam ter lutado por encontrar a formosa beleza que encerra esta luz e esta verdade.

A ti, Aprendiz, tenho observado; e não creio que sejas diferente daqueles, por isso desejo aconselhar-te. Vejo quando decifras tuas peças, trêmulo, tanto quê quase teus joelhos se dobram de medo. E te pergunto: medo de que ou de quem ?

Tens por acaso medo de ti mesmo ? Porém, quando escutas o aplauso de teus IIr.'., voltas a teu lugar envaidecido. Te inchas como um Pavão Real, e se pudesses ver-te como te vejo, verias que não és mais que um pobre Pato. Olhando-te em teu posto, vejo que quase explodistes de satisfação perante os elogios, nem sempre feitos com justiça. E isso é muito mau, não te deve subir à cabeça, o que supões um êxito, porque podes cair no erro de sentir-te superior, quando não és mais que um Apr.'. Serena-te e analisa. Sejas prudente em teus atos e humilde em tuas afirmações.

Sejas sincero contigo mesmo, para que possas sê-lo com os demais, mas sobre todas as coisas, conhece-te a ti mesmo. Pratica tuas teorias, sejas bom, caritativo, honrado, estudioso, ajuda a tua Loja e a teus IIr.'.. Não sejas M.'.de Bico, nem sejas M.'. Teórico. A virtude, a honra, a lealdade, não se adquirem martelando liturgias. Agora te felicitam, dando-te alento para seguir adiante, é justo que festejem tuas peças de arquitetura, não por seu valor, mais bem para dar-te ânimo para seguir lutando e melhorando. Tu deves saber que melhoras a cada dia, e à medida que passa o tempo, estás obrigado a superar-te.

Espero que entendas o que digo. Não te envaideças, aceita os aplausos como estímulo para tua própria superação. Não te detenhas enquanto tiveres traçando um caminho a seguir. A Maçonaria é grande, muito grande, onde somente chegam poucos e onde também a maledicência e a mediocridade se perdem no torvelinho escuro do nada. Para terminar quero pedir-te um favor. Não me digas Pedra Bruta, sou Pedra em Bruto, que é diferente.

Me dispunha a responder à Pedra, quando com um golpe de malhete meu V.'.M.'. disse: “Silêncio IIr.'., estamos em Loja”... fiquei calado, porém, pensando na infinita verdade que representa esta humilde e feia Pedra em Bruto.

Extraído do Livro A Pedra Bruta (Instruções de Aprendiz) - 1995 do Ir.'. Antônio César Celente

Fonte: http://www.portaldamaconaria.com.br